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22 e agora?

Aos 22 anos apercebi-me que a minha vida (re)começa agora. É hora de novas aventuras.

18
Jan18

E a saudade?

Tita Vicente
«Cuidaram de mim durante toda a minha infância. Deram-me mimos, abraços, sorrisos e todo o amor deste universo. Nunca me deixaram sozinha. Ampararam as minhas quedas, limparam os meus joelhos e disseram-me que podia ser quem eu quisesse: bastava querer. Adormeceram comigo. Fizeram-me toda a comida que eu queria e davam-me todos os doces que eu pedia, mesmo sabendo que - provavelmente - isso me faria mal. Faziam-no porque não sabiam dizer-me que não. Faziam-no porque gostavam de mim.
Hoje a vida é um bocadinho mais cinzenta. Com umaj avó - e desculpem os mais sensíveis - senti um certo alívio por saber que finalmente ela estava em paz e feliz com a outra é diferente.
A minha avó Olinda faleceu há pouco mais de um ano. Sofria de uma merda de uma doença que ainda não tem cura: alzheimer. A minha avó já não era ela. A minha avó já não andava, mal falava e em certas visitas já nem me reconhecia. Doeu muito a sua partida, mas sei que ela precisava de ir. Precisava de ser ela novamente. Mas agora a minha avó Isabel é diferente. Ela ainda estava cheia de vida. Ela ainda tinha muito mais para me dar.
Desculpem todas as visitas que falhei. Sei que onde quer que estejam, estão a cuidar de mim e que vão torcer por cada vitória minha. Prometo que vou ser a melhor pessoa que conseguir ser.
Nada apaga a dor de não vos ter aqui.»
 
Escrevi este texto quando em dezembro, poucos dias depois da minha avó falecer. Sou uma pessoa que gosta de marcar acontecimentos mesmo eles não sendo os mais felizes. Há muito que queria tatuar o nome da minha avó, só ainda não tinha tido "tempo". Agora depois de escolher o tipo de letra, de pensar no local e todos esses detalhes, está feita. A dor não passa e a saudade aumenta todos os dias, mas agora estão comigo em todo o lado.
 

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Imagem tirada por mim
17
Jan18

Devia ouvir mais rádio

Tita Vicente

É verdade. Apesar de gostar muito de ouvir rádio e de ter sido umas das minhas cadeiras preferidas e que me dava mais prazer durante a universidade confesso que não oiço muito. Para mim, é uma atividade de quando estou no carro. 

Hoje de manhã o meu namorado foi levar-me ao autocarro e estavamos a ouvir os locutores comentarem as notícias “malucas” do dia. A primeira era sobre uma banheira voadora. Sim gente uma banheira voadora. Dois irmãos na alemanha acordaram um dia e decidiram que iam construir uma banheira que voasse e assim foi. Mas a segunda notícia, a segunda é demasiado boa para ser real. Ora que uma senhora decidiu que o melhor para a sua vida amorosa era o que? Casar com um fantasma. Depois desta a minha esperança no mundo diminuiu novamente um bocadinho. 

Depois destes 10 minutos no carro percebi que devia ouvurbmais vezes rádio e estas notícias que alegram o dia de qualquer um. 

 

Imagem retirada do Pinterest.

16
Jan18

Revolta é a palavra mais adequada

Tita Vicente

Era a minha segunda série para iniciar em 2018, depois de ficar novamente orfã de séries, ontem foi o dia escolhido para o fazer. The Handmaid's Tale. Depois de uns longos, infinitos mesmo 57 minutos acabei o primeiro episódio e constatei que tudo o que tinham dito era verdade. Primeiro, é preciso ter uma paciência de santo para assistir pelo menos eu precisei para não esmurrar o computador à primeira barbaridade que ouvi da Tia Lidia. Segundo, tenho a certeza que é daquelas séries que não vou conseguir ver mais do que um episódio por dia e nem é por ter episódios "compridos" é porque não tenho estofo mental para tanta estupidez. 

A esta altura do campeonato já toda a gente deve ter visto a série - menos eu claro que andei ocupada de mais com tudo o resto - mas mesmo assim não quero dar spoilers sobre o assunto. O que é que posso dizer então? Que ao fim de um episódio já sentia uma revolta gigante dentro de mim. Mas quem é que raio se iria lembrar que seria giro voltarmos aos tempos antigos em que as mulheres não tinham direitos? E caso isto acontecesse, as mulheres que não podem procriar não se lembram das suas vidas "passadas"? A verdade é que fiquei até com algum nojo, diria eu, de certas personagens só de pensar que podem existir pessoas por ai com a mentalidade igual à delas. E os diálogos? Aquelas respostas programadas que elas devem dar. Para uma pessoa como eu, com as crenças religiosas a roçar no -100, só me deu ainda mais raiva 

É uma série feita para chocar o espetador e, sem sobra de dúvidas, que faz muito bem o seu trabalho de terapia de choque. Depois do episódio e de me deitar no conforto da minha cama fiquei no mínimo meia hora a matutar sobre o assunto e a perceber a sorte que tenho pelos direitos que tenho. 

 

Imagem retirada do IMDB 

 

(PS: Ainda assim gostava de falar com a autora só para tentar perceber como é que raio um dia acordou e pensou que o mundo poderia ser assim?)

15
Jan18

Achei que este sismo era um sonho

Tita Vicente

Ok eu sei que o sismo aconteceu, eu já linas notícias e os comentários no Facebook (por incrível que pareça não foi o primeiro sítio onde pesquisei, sinais da mudança), mas continuando. Ora eu também senti o sismo. Mas achei que estava a sonhar. Estava muito descansadinha no meu sono matinal - a única parte boa da vida de desempregada/estudante de mestrado - quando acordei e senti a cama a tremer. Foi coisa de para ai 10 segundos e achei “Estas maluca da cabeça. Agora sentes as coisas a tremer? Volta mazé a dormir.” Claro que como pessoa obdiente que sou voltei a dormir descansada da vida. 

Acordo com um Whatsapp em alvoroço para perceber se todos tinham sentido o sismo. E foi ai que percebi que afinal não estava assim tão maluquinha. A questão é que já estou como a Pipoca Mais Doce, se fosse uma coisa à séria a minha capacidade de resposta é como a de um vegetal: nem me mexo. O que me deixa mais descansada é o facto de pelo menos por enquanto os sismos aqui não causam grandes estragos.

Sobre mim

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#InstaAddicted, apaixonada por moda, Nova Iorque e chocolate. Sou licenciada em Jornalismo e apesar de ser da grande cidade do Porto vivo há quase um ano em Lisboa.

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